Projeto de produção de caneta emagrecedora gera questionamentos sobre critérios e custos
Escrito por Clube FM 101.1 em 4 de novembro de 2025
Tratado como uma “novidade bombástica” pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), o projeto do governo brasileiro para produção nacional de canetas emagrecedoras tem gerado questionamentos sobre os critérios de escolha e transparência do processo.
A iniciativa, anunciada em agosto de 2025, foi firmada por meio de uma parceria entre Farmanguinhos/Fiocruz, unidade vinculada ao Ministério da Saúde, e o laboratório EMS, um dos maiores fabricantes de medicamentos genéricos do país. O acordo tem prazo de cinco anos, com contagem a partir do fornecimento do primeiro medicamento ao Ministério da Saúde — o que cria, na prática, vínculo direto com a pasta.
No entanto, a EMS acabou sendo escolhida, apesar de sua concorrente, a Biomm, ter apresentado propostas mais baratas para o fornecimento de liraglutida e semaglutida, substâncias utilizadas nos medicamentos para emagrecimento. De acordo com o resultado da seleção, a Biomm obteve 40 pontos no quesito preço, enquanto a EMS recebeu 20.
A pontuação final da EMS, no entanto, foi elevada pelo fato de a empresa já ter solicitado registro do medicamento na Anvisa, embora o processo ainda não tivesse sido concluído. A Fiocruz e a EMS foram questionadas sobre o valor do contrato, mas não responderam até o momento da publicação.
Em nota enviada ao colunista Tácio Lorran, o Ministério da Saúde afirmou não ter participado diretamente da negociação entre a Fiocruz e a EMS e negou haver compromisso de compra das canetas emagrecedoras pelo SUS, ainda que o Diário Oficial da União traga menção ao possível fornecimento futuro.
Em agosto, a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) rejeitou a inclusão desses medicamentos na rede pública de saúde, sob o argumento de que não há evidências suficientes de custo-benefício para o sistema.
Fonte: Metrópoles
Redação Clube FM 101.1 Jornalismo com Responsabilidade