Ritmo tradicional da música gaúcha será oficialmente registrado no dia 12 de agosto, em cerimônia no Theatro São Pedro, em Porto Alegre
O ritmo bugio, um dos mais autênticos e representativos da música tradicional gaúcha, será oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Sul no próximo dia 12 de agosto. A cerimônia de registro ocorrerá no histórico Theatro São Pedro, em Porto Alegre, em um ato simbólico que celebra a identidade, a história e a resistência cultural do povo gaúcho.
Reconhecimento histórico
O processo de reconhecimento foi conduzido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), com base no “Inventário do Gênero Musical Bugio”, documento técnico e cultural que reúne dados históricos, sociais e musicais sobre o ritmo. Após análise criteriosa, o parecer foi aprovado pela Câmara Temática do Patrimônio Cultural Imaterial, abrindo caminho para o registro no Livro das Formas de Expressão do Rio Grande do Sul.
Com isso, o bugio passa a integrar oficialmente a lista de bens culturais imateriais protegidos pelo Estado, ao lado de outras manifestações tradicionais como o fandango, o chimarrão e as danças de salão gaúchas.
Mobilização de comunidades e municípios
O reconhecimento é fruto da mobilização conjunta das prefeituras de São Francisco de Assis e São Francisco de Paula, cidades que há décadas mantêm viva a tradição do bugio por meio de festivais, escolas de música, oficinas e eventos culturais. A articulação contou com o apoio de músicos, pesquisadores, professores, festivais e comunidades locais, reforçando o valor coletivo dessa conquista.
Além disso, diversas leis municipais já reconheciam o bugio como bem cultural em seus respectivos territórios, fortalecendo o pleito junto ao Iphae e servindo de base legal para o inventário.
O que é o bugio?
O bugio é um gênero musical nativista, caracterizado por sua batida marcada, alegre e dançante, geralmente executada com acordeon, violão, gaita, percussão e letras que retratam o cotidiano rural e a vida campeira. Seu nome faz referência ao som que lembra o chamado do bugio, um tipo de macaco comum no sul do Brasil.
Presente principalmente na região da Campanha e dos Campos de Cima da Serra, o bugio é um dos pilares da identidade musical do estado e tem forte presença em festivais tradicionalistas e concursos de música gaúcha.
Preservação e novas políticas públicas
Com o registro como Patrimônio Cultural Imaterial, o bugio passa a ser protegido por políticas públicas específicas voltadas à preservação e valorização da expressão cultural. Entre as ações previstas estão:
- Criação e ampliação de oficinas musicais em escolas e centros culturais;
- Apoio a festivais nativistas que incluam o bugio em suas programações;
- Fomento à pesquisa acadêmica e produção de conteúdo educativo;
- Incentivo à transmissão intergeracional, envolvendo crianças e jovens na prática do gênero.
O documento técnico e jurídico que embasou o reconhecimento está disponível para consulta pública e pode ser acessado no site do Iphae.
Celebração no Theatro São Pedro
A cerimônia de oficialização acontecerá no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, um dos palcos mais tradicionais da cultura sul-rio-grandense. O evento contará com a presença de autoridades, artistas, representantes de comunidades e apresentações musicais que exaltam o bugio.
O ato não apenas celebra uma conquista institucional, mas reafirma o compromisso do Estado com a preservação da diversidade cultural e o fortalecimento da memória coletiva do povo gaúcho.
Informações: Rádio Liberdade
Redação Clube FM 101.1 Jornalismo com Responsabilidade

